Vida de Crente

Um dia analisando minha vida como um crente “normal”, andando como manda o figurino, trabalhando e indo a igreja, usando meu dinheiro para  ir ao shopping, ir ao cinema, sair com amigos, dizimar minha tão importante parte do salário “para” Deus, cantar no conjunto da igreja, está nas reuniões de orações, aprender na escola dominical, enfim, vivendo uma vida que agradava a maioria dos irmãos, uma vida de Crente;

Mas um dia pensando criteriosamente a meu respeito, de como eu estava vivendo e agindo, senti falta de alguma coisa que não sabia explicar, e por esse sentimento, acabei na missão.

Eu estava vivendo sobre o domínio da graça de Deus, onde essa graça me justificava, e por isso não carecia muito esforço meu para com a vida, pois afinal de contas, a graça é que salva, e então eu estava vivendo sem muito esforço como a maioria.

Eu entendia que de alguma forma, viver assim não era certo, mas sem saber o que seria correto em uma vida de discipulado com Cristo, fui impulsionado pelo Espírito Santo, a ir para missão integral.

Eu estava decidindo naquele momento romper com o meu emprego, que não ganhava mal para minha realidade, estava rompendo com uma vida inicial acadêmica em Direito, estava também renunciando viver ao lado de uma família maravilhosa, estava deixando amizades de lado, estava rompendo com o comando da minha vida, estava passando a ser comandado pelo Senhor Jesus, por intermédio de discipuladores não tão discípulos de Cristo às vezes.

Estava renunciando acordar a hora que queria, orar quando queria, ler quando e o que achava necessário, realizar afazeres domésticos de vez e nunca, estava a renunciar coisas que me eram boas.

Mas essa ruptura com o que era bom para mim, estava me fazendo sentir melhor, estava me fazendo entender que levar uma vida piedosa, parecia ser mais próximo do discipulado de Cristo e de alguma forma eu me sentia ótimo.

Tive conflitos por está vivendo em uma comunidade “isolada” do mundo exterior, vivendo com pessoas de diferentes nacionalidades, de diferentes costumes, dormir em um quarto com vários homens e esses com hábitos não dos melhores, está sendo controlado por pessoas ate mais nova que eu, com menos experiência de vida, comendo algo que com certeza na minha casa eu nunca iria comer por poder escolher,  deixar de comer biscoito de chocolate por não ter como comprar, ter que dormir em horas que às vezes eu não queria, ter que representar e dançar coisas que eu nunca quis em sã consciência, e o que é pior a tudo isso, ainda ter que pagar por esse pacote tão piedoso.
Mas essa vida piedosa, de separação me levou a proximidade com Deus, me levou a um discipulado que eu não estava tendo quando estava nos domínios da igreja.

Eu é era o governador da minha vida e não Jesus Cristo, então essa vida de renuncias fazia sentido, mas um dia tive que optar em voltar a vida “normal” ou poder ficar vivendo nesse enclausuramento diário; poderia ter optado em ficar la dentro e viver a vida “piedosa” que no inicio enxergava, uma vida de muitas renuncias, pelo menos, no inicio dessa caminhada, mas fui analisando a vida friamente, já acostumando ao local, e pude notar, que a vida ali dentro, não era a das piores no mundo, que viver daquela forma de aparente renuncia e de piedade me fazia bem, com muitas ou ate mais regalias que seu eu estivesse em casa, pois afinal de contas, la eu não precisava trabalhar, no máximo cortar grama, lavar enormes panelas do almoço ou lavar banheiros e pronto, o resto do dia livre para viver minha vida “piedosa” em frente a uma boa TV em um dos ótimos apartamentos por la.

 Mas o pior de tudo isso foi quando eu entendi que eu estava começando a ”pagar” minha redenção em Cristo, que os atos de bondade ali dentro praticados, estavam me dando à certeza de está entrando no reino de Deus, pois afinal de contas, eu estava sendo bonzinho, estava vivendo uma vida de renuncias, estava pagando por está ali…

Quando percebi isso pude ver que na verdade eu apenas estava vivendo separado de casa e ainda, mesmo que sem perceber, tomando o lugar da Graça de Deus em minha vida, pois a vida piedosa, estava me dando o passaporte para o céu.

Quando voltei para casa e decidi viver aqui “fora” a minha vida, entendi que eu estava rompendo de novo com as minhas vontades, estava renunciando algo que seria bom para mim, estava renunciando novamente como no inicio, só que de uma maneira mais difícil, pois agora eu não teria ninguém para me dizer o que tinha que fazer, não tinha ninguém para me acordar cedo para meditar, eu estava rompendo com o que poderia fazer bem e ainda ter aparência de piedoso.

Nesse momento entendi que viver uma vida de piedade dentro de quatro paredes, dentro de uma base missionária, ou dentro de uma igreja é muito fácil, romper com os padrões mundanos onde todos já fazem isso é “mamão com açúcar” é “nadar em céu de brigadeiro”, pois quando uma luta é de todos, quando todos estão “remando” para o mesmo lado é fácil de ganhar a corrida, fica difícil algo diferente vencer, quando todos praticam o mesmo, é quase impossível você incorrer em erro dentro desse sistema.

Viver uma vida piedosa fora desse contexto é quase impossível, é viver o discipulado de Cristo na integra, pois aqui fora, você vai “ andar na contra mão” do mundo, você vai “nadar contra a maré”, é está imaculado dentro de uma câmara de deputados corruptos, e viver renunciando proposta que fará bem a sua família, é viver renunciado a olhar para outras mulheres quase que nua na rua e tendo isso como normalidade, é viver fora do contexto geral da sociedade em prol do discipulado árduo de Jesus Cristo, é passar a experimentar, como disse Dietrich bonhoeffer a Graça Preciosa de Cristo e não viver mais a graça barata das igrejas, é viver a Graça que perdoa o pecador e não o pecado é viver de baixo de uma Graça redentora com morte de Cruz e não viver uma graça onde tudo me é licito e tudo me convém, pois afinal, como pregam sempre que é conveniente: é a “graça que salva”.
Vamos viver de baixo do Discipulado de Cristo, um discipulado árduo, mas com um fardo leve, um fardo que se pode carregar, um fardo de amor que foi de graça para nós, imerecedores, mas foi caro para um Pai de filho único, Deus… Valorize esse fardo e dê glorias a Deus por você ser quem você é e não valorize de mais o “fardo” que você carrega, pois isso pode te tornar barateador da Graça Preciosa.

Joberson Lopes, com a Graça preciosa de Deus, 10 de agosto de 2010

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